A Balada do Amor Inabalável ll


Domingo , 25 de Junho de 2006


Aprendi que meu recém-adquirido incenso de sal grosso e cânfora é ideal para limpeza, purificação e proteção de ambientes. Que os monges tibetanos meditam pela paz no mundo usando este aroma. Achei gostoso demais acreditar nisso. Mesmo sabendo que na prática de cada dia funciona diferente. Uma sensação tão imprecisa quanto calmante acreditar que aromas e pensamentos podem mudar o mundo. Quanto ao mundo de cada um, talvez seja mais exato. Como no meu universo interior quem manda sou eu, então realmente, se meus pensamentos estiverem em determinada direção é bastante provável que minha vida a siga. Aí, quem sabe, sim, educar os pensamentos seja mudar o mundo. O meu. 

A paciência é que me falta nas ações, constantemente. Tenho percebido que deixo de colocar certas descobertas em curso porque não fui brindada com a paciência de repetí-las e repetí-las até que virem verdade, e nem com a paciência de colocar estas mudanças diante das outras pessoas. A lacuna está em trabalhar a paciência de ter paciência, ora bolas! Deve ser defeito de fábrica esta insubordinação crônica diante de qualque pessoa ou situação, por mais que eu a respeite ou ame. E pensando bem, será insubordinação, será algum outro defeito que não enxergo? A verdade é que isso só chega a me incomodar quando sinto que perco algo em decorrência. Geralmente, oportunidades, porque o mundo não é uma mãe que te olha com aqueles olhos de compreensão e afeto a despeito das bobagens que você faça ou das "barbaridades" que tenha a dizer. O mundo cobra caro se seus traços de personalidade ou formação forem mais agressivos. Assim fico eu no mundo. No meu, no seu, no nosso. E o pior é que sou teimosa o sufiente para acreditar que o mundo é que deveria mudar! hahaha Não pode ter futuro um ser desses!!! É daquelas encruzilhadas que você sabe que seriam trágicas se não fossem cômicas, ou vice-versa (?) E meu perigo mora nessa interrogação. Talvez até minha salvação more também, na força de meditar - com sal grosso e cânfora, e todos os aromas que puderem ajudar - para que tudo possa simplesmente ser, exatamente do jeitinho que deveria ser e já é.

Escrito por Bia às 03h48 PM
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Terça-feira , 20 de Junho de 2006


O amor nos tempos de cólera

 
Andando aqui e ali, em blogs nos quais a essência eu respeito e adoro, encontrei alguns presentes que me fizeram viajar e pensar. Já algum tempo vinha alimentando a vontade de reproduzir aqui algumas coisas que considero demasiado importantes. Como "coincidiu" de algumas destas coisas girarem em torno do mesmo assunto, reúno aqui, um pouco deste encanto e poesia. Para os textos na íntegra, indico os blogs-fonte. Espero que suas autoras, mulheres que amam, gostem da pequena homenagem.
 
Pausa para bater palmas para o amor.
Covarde sou, mas ainda tenho jeito.
"e o meu defeito é não saber parar"
- Recepcionista, me vê um quarto
com vista
Para os sonhos que implodi.

Escrito por Bia às 08h14 PM
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"(...)Às vezes é estranho acreditar que seja verdade. Como diz o Amarante: "Eu encontrei-a e quis duvidar, tanto clichê, deve não ser." É esquisito mesmo! Você já me conhece tanto e já me faz tão bem! Eu já estava acreditando que isso não existia...
Sei ficar só. Entendo muito bem de solidão... Eu comigo mesma já me basto. Mas sua presença extravasa meu nível de auto-suficiência e me mostra que além de usar meu tempo fazendo o que mais gosto num sábado à noite [como por exemplo, dormir], eu poderia usar meu tempo contigo. Essa idéia já me encanta... essa idéia passa a sexistir no meio dos meus pensamentos. Fazia um tempo que ela não surgia. Mas você, com esse costume de sair invadindo tudo e mudando tudo, faz questão de mudar até isso: seria o máximo que você estivesse sempre perto. [Considere isso como uma grande mudança: alguém como eu, que não sente falta de muita coisa, principalmente de uma companhia num sábado à noite, já pensa muito em te ter ao lado.]
E todas as outras coisas vão sumindo... porque você ocupa os espaços vazios. Você me quer! Você me procura. Você vem pra me mostrar o novo. Você é o novo. E, pra mim, isso já é mais que interessante... Você me move a desejar. Você me causa milhões de sensações que eu já estava esquecendo. Você é homem. E como todo HOMEM, sabe bem o que fazer com uma mulher. "De repente, tudo se torna tão irreal que te sinto visível."
'Quero sua vida me invadindo e me agitando. Quero sua felicidade sob meu coração e suas mágoas nos meus olhos, sua paz nos dedos de minha mão.' (Malcolm Lowry)
"Não sei o quanto o mundo é bão, mas ele está melhor desde que você chegou e explicou o mundo pra mim." (Nando Reis)"

Escrito por Bia às 08h10 PM
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"Meu querido.
Eu tinha tirado férias, forçadas confesso, há algum tempo.
Tive os rolos que precisava para sustentar os desejos da carne. Mas que apenas por meros instantes conseguiam tirar um pouco do frio da pele.
Meu menino não sabe, mas ele veio, através das mais sinceras orações. Duas vezes.
Depois de duas decepções. (...)
Meses depois veio o meu bem. E eu duvidei desde o primeiro momento que aquele menino, usando o all star surrado e uma camiseta amarelo ovo, anos mais novo que eu, fosse, sequer, me beijar direito.
Beijou, acarinhou, abraçou, me fez sorrir e acariciou mais e melhor que homens feitos há tempos.
Estava apaixonada. E senti que ele também tinha se envolvido.
Mas ele também me decepcionou. E acho que essa dor foi muito pior que a dor da minha separação.
Três anos passaram-se e eu voltava da Bahia, empanturrada de acarajé e de vontade de voltar logo para aquela cidade de trios e de beijos.
O molho zangou de novo.... e com o passar dos anos parece que tombos ficam piores...deve ser o cálcio consumido a menor.
Não foi a decepção de uma paquera à toa que me derrubou dessa vez... mas a falta de crença em dias mais calmos.
Resolvi cuidar de mim. De novo, pedi por mim.
Reencontrei o meu menino, de três anos atrás. Lavei a roupa suja, chorei.
Cheia de medo, estive de novo em seus braços. E deixei que acontecesse de novo. E quis que acontecesse mais.
E quero que continue acontecendo.
E ainda sofro quando fico insegura e me lembro dos espinhos que cortaram e de vez em quando parecem ressurgir no meio das flores.
Mas ele voltou tão...como antes, que nem precisei de script para saber que era nisso que ia dar. (...)
Ele não quer reprimir suas vontades, como eu.
Ele fala um dialeto irritante de gente apaixonada, como eu.
Ele tem problemas e contas, como eu.
Ele tem que ter paciência...mais que eu.
Ele tem uma bunda boa e diz que gosta da minha.
Ele tem um jeito de olhar que me derruba.
Ele comete erros, como eu.
Ele topa e sugere programas de índio, que eu adoro.
Ele é quieto e nunca decide o que quer comer, e me deixa irritada.
Mas em horas importantíssimas oferece a mão, os ombros, as pernas...a presença.
Ele precisa de freios, como eu.
Ele precisa aprender a poupar dinheiro, como eu.
Ele precisa ser amado, como eu. (...)"
Menina de Família em  http://www.danadnha.blogger.com.br/ 

Escrito por Bia às 08h03 PM
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"Estávamos no quarto. Eu ria de alguma palhaçada que eu mesma disse. Ele levantou também rindo, pôs um cd pra tocar enquanto procurava um outro cd pra ouvir. Saltei da cama cheia de pernas e braços tentando atrapalhá-lo no que fazia. Acordei ‘de Erê’ e quando isso acontece nada fica quieto perto de mim. Agarrei-o por trás enquanto Vanessa da Mata cantava uma música que eu não conhecia ao longe. Encostei minha cabeça em suas costas como que pra escutar seu coração... “ainda bem, que você vive comigo, porque senão como seria esta vida? Sei lá...”. Naquele instante tudo parou. Senti uma felicidade imensa, como se só agora, ali, naquele instante, eu tivesse a exata medida do que se deu em minha vida desde o último 24 de fevereiro. Era o homem que eu amava que eu abraçava ali. Era nosso quarto, nossa casa, nossa vida, nossa família. Numa fração de segundos cada célula do meu corpo parecia ter consciência das dificuldades pelas quais passamos, de todo o sofrimento que gerou, para estarmos ali - Juntos. “meus beijos sem os seus não daria, os dias chegariam sem paixão”... chorei baixinho enquanto me apertava ainda mais meu corpo contra o dele. Ele virou cuidadoso, sorriu do meu choro como se soubesse o porquê dele. Ensaiou uma dança desajeitada tentando me fazer rir, me jogou na cama e me encheu de cócegas dizendo: “ri, pretinha, ri...” e eu agradeci a Deus por aquele momento tão simples"
 

"Numa dessas minhas incursões pelos blogs alheios, descobri o blog dele. (...) Virei leitora assídua, mas nem sempre eu deixava ao final dos textos meus comentários. Inúmeras vezes passei por ali sem deixar minhas simples impressões, afinal, o cara parecia ser importante. (...) Há pouco mais de 10 dias passei por lá e deixei um comentário. No dia seguinte, abri meus e-mails e lá estava um e-mail dele perguntando se eu era de São Paulo. Foi o suficiente! Eu poderia ter respondido "Não, não sou", ou poderia limitar-me a "Não sou do Rio", mas sem saber porquê, foi demais para mim receber aquele e-mail. Meu coração deu um pulo quando viu aquela simples frase piscando na tela do meu computador: "você é de Sampa, Silvinha? Bjus."E como mais uma dessas coisas que não se sabe o porquê, eu redigi um verdadeiro testamento, explicando a atual fase em que eu me encontrava, falei que a empresa estava sendo vendia, que provavelmente em breve eu estaria morando por lá, e tal, e aí já era... Ele respondeu, e eu respondi de volta, ele mandou os telefones, eu mandei os meus e ainda meu msn. (...) Não durmo, não como, não trabalho direito, não presto atenção em nada. Troquei o livro que estava lendo pela leitura dos textos dele, o tempo que passava na internet garimpando artigos, pesquisando, futucando blogs, substituí pela leitura das criticas de suas peças, pela busca por informações sobre seu trabalho, por fragmentos que me levem o mais próximo possível deste homem que do dia para a noite passou a ser o ar que eu respiro.Trocamos textos e fotos estes dias. Trocamos mil torpedos e nos ligamos apenas duas vezes. Nesta última ligação ele me disse que vem pra cá pro Rio no feriado me ver. Começamos a rir feito idiotas no telefone quando ele falou que vinha com certeza e eu fiquei muda, para logo em seguida explodir numa gargalhada nervosa e desesperadamente feliz, enquanto do outro lado da linha ele também sorria, desajeitadamente, sem saber direito que coisa louca era aquela.(...) Inventei mil coisas para fazer em casa antes de dormir afim de cansar meu corpo e impedir minha mente de trabalhar. Foi em vão. Sonhei com ele a noite toda, abracei o travesseiro, imaginei seu cheiro, a textura de sua boca, meu corpo enrolado no dele sem querer se soltar, se misturando com o dele, desejando ser dele, existir para ele, por ele e para sempre.Acordei com uma sensação de medo e pavor. Uma dor intensa no peito porque sei que por enquanto tudo isso é fruto do que eu venho desejando tanto, coisa da minha cabeça e do meu coração tão desesperadamente louco pra amar.Tive medo de estar voando tão alto, que não pudesse suportar um tombo. De estar sozinha neste vôo, ou de estar voando pelos motivos errados, por alguém que mal conheço. Desejei me entregar menos, desejar menos, esperar menos. Desejei ser mais contida, mais reservada, prudente, madura. Me senti uma menina desprotegida e inocente diante de um cara que me espreitava, bebendo da minha falta de controle, divertindo-se com tudo isso, apenas pelo fato de ser algo tão inusitado que neste momento dava novo sabor a sua vida.Entrei no blog dele e tinha um texto para mim, que eu não sei se achei lindo ou se foi o culpado por me deixar ainda mias aflitas nas minhas especulações. Na minha caixa de entrada tinha mais dois textos dele para que eu lesse, e dois "PS’s" muito reconfortantes, dizendo que já me adorava muito, mas nem assim essa bola de fogo que queima dentro do meu peito diminuiu de intensidade.Fechei os olhos, fiz uma oração. Pedi a Eros que tivesse compaixão... mas ele não atendeu..."

Silvinha em http://maisdeuma.zip.net

Escrito por Bia às 07h58 PM
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Ter ou não Ter Namorado (Artur da Távola)

"Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição. Quem não tem namorado não é quem não tem amor: É quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho. não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria. não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. É fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar. não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário. Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor. não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro. Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais. não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo. Se você não tem namorado é porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de queimar-se em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio. Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido. Enlou-cresça"

Já é tarde

e a cadência arde

Devassa, no escuro, ao léo

Me deixa só falar

Me deixa só contar tudo que senti

O que descobri enquanto me procurava:

Me perdi!

De tanto achar, acreditei

Que eu sabia quem era eu

Por "entender", enxerguei

Que o maior mistério não sou eu

É a idéia que eu faço de mim.

Escrito por Bia às 07h55 PM
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BRASIL, Sudeste, PIRACICABA, Mulher, de 26 a 35 anos, Música, Arte e cultura, #Olhos e palavras que dizem a alma# Sentir e Seguir #