A Balada do Amor Inabalável ll


Terça-feira , 14 de Março de 2006


Promessa é dívida. Eis que estou a passear no espaço do meu querido Carlos (http://experimentandome.zip.net) ni qui me deparo com o singelo convite a participar de uma corrente blogueira. A dita consistia em que os ditos convidados listassem cinco de suas manias para todo o mundo blogueiro ver e lançasse o mesmo desafio à outros tantos proprietários destes surpreendentes diários virtuais. Desde então, confesso que meu universo não foi mais o mesmo. Pus ambos neurônios a trabalhar, para que dessem cabo desta singular tarefa. Ma-le-má saíram as tais. Não sei se refletem o melhor do meu lado mais estranho - e prometo novamente que, se descobrir outras mais interessantes, publico a parte ll - mas são legítimas, bobas e constrangedoras como toda boa mania deve ser. Ei-las:

1. De escovar os dentes andando. Esta talvez não seja das mais originais, mas é uma mania crônica. A família detesta. Nâo sei o que há - ou falta - com a pia do banheiro para que me seja impossível em 90% das escovadas ficar diante dela para cumprir a tarefa. Me dá aflição mesmo parar ali...

2.De perseguição. Hahahahahaha Triste, mas verdadeiro. Eu sempre acho que é comigo. Coisa ruim, lógico. Na maioria das vezes, não era, mas ainda não nasceu Cristo que me convença disso durante. Eu só percebo depois. Coisa de gente esquizofrênica.

3.De precisar de música. Esta está na categoria mania/hábito. É que de tão presente e involuntária foi promovida a mania mesmo. Se estiver ao alcance das minhas mãos ligar qualquer tipo de receptor musical quando estou num recinto particular - móvel ou imóvel -  há a chance de 95% (estou dada às porcentagens) que eu vá fazê-lo. O estilo da música a ser escolhida pode variar enormemente de acordo com o meu estado de espírito. Isso pode ser um tanto pertubador aos demais que, por fatalidade, estejam transitando no local. Detalhe: eu canto junto. Alto.

4. De pinça. Isso mesmo, mania de pinça. Ocorre que se eu ver um fio fora do lugar - geralmente na sobrancelha hihihi - posso ter ataques de ansiedade seríssimos enquanto não me ver livre do incoveniente. E depois, ahhhhhh que alívio... Ressalva importante: a mesma mania vale para objetos como lixas, alicates de cutícula e quaisquer outros aliviadores imediatos de resquícios indesejados de mim mesma espalhados pelo corpo.

5. De "estar gorda". Esta pode ser vista como marmelada e muitos homens talvez disessem que é um mal que aflige a raça feminina no geral. Mas veja, o grave do meu distúrbio - não que por vezes não seja real - é que além de "estar gorda" sempre, eu me penitencio - para manter as estatísticas - em 92% dos "segundos momentos" ao olhar para trás e pensar "puxa, eu não estava nada mal..." e aí amigo, já é tarde. A neurose já causou dias e noites de sofrimento irremediável e ...vão. Pedro Bial está sempre me dizendo "você nâo está gordo, ou gorda" mas cadê que eu acredito???

Elegi uma mania suplente - no caso de alguma vir a faltar hehehe - que de cara seria classificada como "defeito" mas na verdade, não é. Eu tenho a mania de ser do contra ou cricri ou implicante ou qualquer outro semi-sinônimo que se queira atribuir. Resumindo, eu encho o saco. O próprio e o alheio. O papel de advogada do diabo me cai bem. Diga que sim e eu direi que não e vice-versa, não necessariamente nesta ordem. Eu juro que a coisa já chegou num estágio em que faço isso sem perceber.

Agora, se havia em alguém a ilusão de que acabou, vem aqui a melhor parte. A convocação. Como eu sou da convicção de que regra só foi feita mesmo é para ser quebrada, convocarei a TODOS os meus queridíssimos amigos-parceiros-objetos de admiração para expor também o seu ridículo em rede mundial. Assim, Lu, Eni, Robson, Uri, Alex, Bugra, Jullyana, Carol, Sanka, Observadoor, Nathali, Lyanni, Diana, Cathy, Gaudz, Erika, Luluzinha, Pinho, Andréia, Dani, Claúdia, Diego, Roberto, Maya, Edson e Wander - ufa! - sintam-se mais do que convidados a participar. Sim, é você mesmo, se o seu blog está linkado ao lado e seu nome está na lista isto não é mera coincidência. Claro que entendo totalmente aqueles que acharem que tal post fugiria demais ao conteúdo do seu espaço e preferirem não aderir, ou mesmo aqueles que não estiverem a fim e exercitarem o seu "direito de não participar".  A todas as outras crianças tardias que entrarem na bagunça, aguardo ansiosamente para ver o resultado.

Escrito por Bia às 06h45 PM
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Quarta-feira , 08 de Março de 2006


Cada dia nos constrói - destrói - um pouco. Passo lenta por sabores que me despertam, por visões que calam fundo. Avisto estações, situações, perdições e salvações balançando-se por entre pessoas minúsculas, dispersas na inexatidão de suas escolhas. Abraços que não foram dados, amores que não foram declarados, saltos que não foram impulsionados. A expectativa eterna e legítima pelas segundas chances que talvez jamais aconteçam. As primeiras chances sub-aproveitadas que trouxeram muito, mas deixaram também o amargo gosto da sub-realização. E é tão involuntário enxergar o que foi menos e ver o que faltou. Simples abaixar e abaixar até estar bem encolhido num canto de si, porque o mundo nos acua na mesma exata proporção que nos deslumbra e atrai. Não há que se deixar o destempêro do momento falar mais alto e representar outros tantos verdadeiramente dignos do estar vivo. Nem há que se diminuir o destempêro, também. As alternativas, porém, minguam de ciclos em ciclos. São marés que jamais pararão na praia. Uma pausa para estancar e comtemplar o horizonte, transbordante de sinais ininteligíveis, de pessoas que transitam por si e por nós, de grãos de areia deslizando dos dedos e de flechas atiradas na costa, a despeito dos visitantes a jogar nas ondas suas receitas de transmutação.  

"Quando a ida não é boa, a volta não pode prestar

Não tenho medo de seguir, mas tenho medo de voltar"

Obs. Pode aguardar "as manias" Carlos, que vai sair, viu?

Escrito por Bia às 12h37 AM
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Sábado , 04 de Março de 2006


 

De repente eu ouço o prenúncio da chuva.

O sol vai se escondendo dando passagem àquela que está

à sua altura

Medem forças brevemente e o sol logo entende

que são forças diferentes

"incomensuráveis".

O cheiro inebriante me invade as narinas e acelera um pouco

o bombear débil do coração.

O som, como canto de anjos que me embalam docemente.

Abandono-me entregue, à imponente beleza cinzenta

dos céus que rugem no meu olhar

e me erguem e me puxam e me engolem. 

Exulto, diante da hipnótica queda dos pingos impacientes

e peço, tímida, que me venham lavar

todas as horas, todas as decisões, todas as perdas e ganhos

que não sei contar.

A chuva que eu amo.

Sei que ela me ama também, que somos cúmplices

e entre nós

todos os milhões de segredos guardados, declarados pela metade

afugentados no ruir de comunhões

inafiançáveis.

Escrito por Bia às 02h49 PM
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